SAÚDE – carta de uma leitora

“UMA CASA PARA MORAR, UMA BOA ESCOLA E UM PLANO DE SAÚDE, é o que de melhor voce pode dar a um filho. Foi o comentário que ouvi a muitos anos atrás de um antigo chefe. Essa foi uma das razões pelas quais procurei “as duras penas” manter o plano de saúde depois que deixei a empresa. Estou entre os 40 milhões de brasileiros que pagam plano privado. Plano esse  aliás que vem perdendo a “patente”a cada reajuste,  por conta do custo. De acordo com o IBGE em 2009 os gastos das famílias com saúde representou 8,5% do PIB, sendo que 4% vieram de recursos públicos e 4,5% de recursos privados. Nos países ricos 70% dos gastos com saúde são cobertos pelo Governo e 30% pelas famílias.

Em janeiro minha filha cacula foi hospitalizada com fortes dores abdominais e depois de alguns exames foi diagnosticada com uma síndrome auto-imune, cujo tratamento muito provavelmente se arrastará por anos. Depois de deixarmos o hospital dia 31/01/2012, fomos orientados a procurar, no prazo de 30 dias, tratamento com uma especialista em gastro-pediatria.

Imediatamente procuramos o  plano de saúde que possui 2 médicos nessa especialidade, sendo que um deles só atende crianças acima de 12 anos (não é caso da minha filha que tem 10) e o outro, de acordo com a secretária,  estava com a agenda cheia e só dali a 15 dias poderia dar retorno sobre a disponibilidade para agendar a consulta.

Uma amiga indicou uma especialista, quando liguei fui informada que ela não atende mais convênios (tem sido uma constante essa prática, por conta dos baixos valores pagos pelos convênios)  e a consulta particular custa R$600,00. O salário mínimo atualmente é de R$622,00.

Buscamos então o Instituto da Criança do Hospital das Clinicas de São Paulo que, para quem não sabe atende convênios e esse dinheiro é repassado para ajudar no custeio do Hospital como um todo. Bem, consulta com a unica  gastro-pediatra só para 31 de maio, quatro meses de espera. Depois de muitos telefonemas e pelo fato de minha filha fazer acompanhamento com endocrinologista do próprio Instituto de Criança foi possível fazer um encaixe, como eles dizem (sujeito a espera) para uma consulta em 15 de março.

A SAÚDE ESTÁ UM CAOS

Lá fomos nos para a consulta na data marcada. Durante a atendimento a médica recebeu umas 4 ligações no celular, de pessoas diferentes pelo que pude perceber e a cada ligação ela se desdobrava em explicações pelo fato de ter pedido a internação de uma criança e que por falta de leito foi preciso ficar no corredor de hospital. Não tinha o que fazer, disse a médica,  a criança estava com diarreia e tive de deixa-la em observação, a mãe queria ir embora, mas era preciso ficar. Eu me responsabilizo!                                                               Ela se desculpou conosco e disse: Não sabemos mais o  que fazer. Esta um caos!!! A saúde está  um caos, não sei onde vamos parar!

Bem minha cara Doutora se você não sabe ainda onde vamos parar, eu posso dar umas pistas:

No corte orçamentário federal para 2012, a pasta com a maior redução foi a Saúde, 5,4 bilhões.                                                                                                                                                O pagamento de juros e amortização da dívida pública vai consumir 30% do orçamento federal, cerca de 9 vezes o valor repassado para a saúde.

A Lei Complementar 141/2012 (Emenda29) assinada em janeiro pela Presidenta Dilma, manteve o investimento do Governo vinculado a variação do PIB mantendo o orçamento da saúde próximo ao valor atual de aproximadamente 3,5% do PIB, sendo que o projeto que estava no Senado pressupunha a aplicação de 10% da receita corrente bruta.

É como dizem… se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!

 

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